quarta-feira, 16 de maio de 2007

O teu sorriso!

O teu sorriso há muito que esquecido,
dissipa-se na dor desta saudade;
na espessa bruma é morte, e dividido
na sombra da mentira, é uma verdade.

O sonho, que com ele repartido
tinha na urgente e doce mocidade,
é presente escusado, e preterido,
nas pressa deste medo e ansiedade!

Vivo, em pesadelos, a crueldade
da guerra em que adivinho uma certeza:
estás, de mim, ausente e em cada dia

as trevas desta dor são liberdade;
são garras de um amor em que a beleza
obrou nos dias sãos uma agonia!

Luís Mouta

terça-feira, 10 de abril de 2007

O lugar do pôr-do-Sol!

Aquela planície que a vista alcança
é onde o Sol se põe e adormece;
é onde os sonhos vivem a esperança
e onde a fantasia se engrandece.

Lugar de olhares, augúrio de bonança,
confia nela o Homem sua prece;
e nessa luz reluz, de uma criança,
o olhar sublime e doce que enaltece!

E quem passar que veja enternecidos,
esquecidos no amor, os namorados
em promessas por ambos repartidas!

Deitados sob os raios já cansados
do astro Rei e, por certo que, esquecidos
de que há paixões cruéis e prevertidas!

Luís Mouta

sexta-feira, 9 de março de 2007

Repetição!

Constante esta tristeza no sorriso,
no olhar de medo um brilho de criança;
na atitude a força, só que indeciso,
espero ainda a sorte da bonança!

Sentado, o gesto ausente e impreciso,
da vida reclamando a esperança;
de mim já não reclamo, não preciso:
o tempo é imensidão e tudo alcança!

Vieste ter comigo e, só por ti,
apareceste envolta em fantasia
e acreditei, num sonho, que me amavas:

chegaste num sussuro e eu senti
nas palavras que me deste, a magia:
mas de repente olhei e já não estavas!

Luís Mouta